quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Boudica e o Guerreiro do Inverno.

Olá, como vão?

Confira mais informações sobre no Blog Paixão por Livros.
Há um dia atrás comecei a empreender uma pequena análise da obra de Marion Zimmer Bradley, enfocando a capacidade da autora em misturar lendas em um universo bastante complexo. Tenho procurado obras que tenham a mesma paixão e por isso, fiquei bastante empolgada quando ouvi falar sobre a série Boudica de Manda Scott. Tive a oportunidade de ganhar o Livro I - águia.

Comentei com uma amiga que não é um livro, mais um "tijolo"! Por volta de 600 páginas a obra aborda, claro, a vida de Boudicea, a guerreira Iceni...
Comecei a lê-lo e eu confesso, ainda não conseguiu me empolgar...Estou tendo certa dificuldade para dar continuidade a leitura. Acho que as personagens de Manda Scott não conseguem ser tão densas quanto as de Marion...E, por vezes, a leitura é um pouco cansativa - com muitas descrições - misturando as histórias de Bán e Breaca. Logo entendi o porquê das 600 páginas...Uma atitude banal de uma personagem pode ser crucial para entender uma ação páginas à frente, então, você precisa ficar bastante atento para as informações adicionais...Em grande parte, aos descrever alguns pormenores a autora deseja estabelecer e traçar a relação emocional da personagem com outra personagem, com objetos, animais e ainda, situações. Ela tenta contextualizar uma nação. Como quando descreve o nascimento do cãozinho Hail e o zelo de Bán com uma potra logo no início do livro. É sabido que os celtas tinham um respeito muito grande pelos cães e cavalos, além de adorar diversos animais.

Não é à toa que o livro I faça referência à  águia, já que se enfoca a importância das visões e de uma atmosfera mais surreal.
Isso não é uma crítica. Penso apenas que preciso me adaptar ao estilo de Manda Scott. De qualquer forma, se não está sendo empolgante, está sendo interessante e, embora cansativo, procuro prestar atenção as descrições, porque trazem detalhes da vida, costumes e tradições do povo Iceni.

Digo o mesmo para o livro de Bernard Cornwell, O Rei do Inverno. Ele é um historiador ímpar, o que se nota logo de cara com as longas descrições de cenas...Mas...Quando comecei a ler a perspectiva do autor com relação à Artur, Morgana, Uther e Merlin...Fiquei meio...Decepcionada.

 Esse livro sim, está sendo muito difícil. Tanto que parei na página 68!!Acho que, minha frustração veio, em parte, porque havia terminado de ler a série Brumas de Avalon. Eu logo substituí a leitura pelo Morro dos Ventos Uivantes. Mas, não sou de desistir fácil, não é mesmo?risos!Pretendo finalizá-lo.

Embora minha decepção, eu admito que a versão de Bernard é criativa e inovadora. É um enfoque mais patriarcal e selvagem. (Creio que selvagem é o vocábulo correto.)
Avalon é como um forte militar, comandado por Merlin. Morgana é uma figura amargurada e deformada, trajando uma máscara...Tudo é muito mais bélico.
O que ficou para mim é que esta é a versão masculina de As Brumas de Avalon.

De qualquer forma, penso que seja um sentimento normal depois que você conhece Marion e Emile Bronte.
Mas, acredito que Boudica de Manda Scott será muito bom, ainda que pelo simples fato de ter como personagem a famosa guerreira celta de cabelos revoltos e rubros! Mas só vou poder dizê-lo depois que terminar a leitura.

E foi uma vez no Reino Iceni...

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Brave - uma animação com inspiração celta!

Princesa Merida. Essas pedras estão com cara de Stonehenge, não estão não?
Olá! Interrompendo o post anterior para falar um pouquinho sobre a nova animação da Disney e da Pixar. Já tem um tempo que o teaser da animação foi lançado. Quando vi fiquei bastante animada e ia comentar por aqui, mas...Bem, antes tarde do que nunca!

Já que andamos comentando sobre Boudica, povos celtas e tudo o mais, eis que me deparo com essa nova produção. A personagem Merida é a típica representante dessa raça, com longas madeixas ruivas!
Valente (Brave) se passa em torno de um reino escocês. A jovem Princesa Merida ao desafiar as regras do local acaba aprontando mil confusões e colocando seu povo em risco. Agora, cabe a ela salvá-los.

Bacana, né?
Pintura azul? Típico...risos!
Atenção: imagens do site ANMTV
Adoro animações! Assistindo ao teaser achei o máximo as personagens escocesas! Ótima "sacada" da Pixar abordar esse tipo de universo. Vamos aguardar... As imagens pelo menos estão cheias de referências ...
Ah, claro! Assista o trailer e vamos aguardar até junho de 2012!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Brumas de Avalon

Saudações, gentis visitantes do Casa Conto!
Figura do Blog Avalon og the Heart.
Penso em dedicar o post de hoje às obras de Marion Zimmer Bradley, especificamente a série Brumas de Avalon. Não, não é uma resenha. Eu não costumo fazer resenhas por aqui, mas sim deitar um olhar mais profundo sobre as obras literárias que me caem nas mãos- inclusive obras infanto-juvenis. Geralmente, ao lermos apenas por entretenimento - o que é ótimo e eu adoro! - deixamos escapar alguns pormenores...Como estava envolvida em um projeto de pesquisa sobre a cultura deste povo em específico, a obra de Marion ganhou novos contornos aos meus olhos.

Bem, antes vamos conhecer a obra. Brumas de Avalon desdobra-se em quatro livros - A Senhora da Magia, A Grande Rainha, O Gamo-Rei e O Prisioneiro da Árvore. O objetivo da autora é recontar a lenda de Rei Artur através da perspectiva feminina (Morgana, Viviane, Igraine,Morgause e Guinevere).
Quando comecei a ler, senti-me um pouco perdida pela quantidade de lendas que Marion magistralmente enreda, tornando a obra quase real. É uma quantidade muito grande de informações. De vestimentas, locais e costumes...É quase como se tudo aquilo houvesse realmente acontecido, tal a força da narrativa.

Para entender melhor o universo do primeiro livro, fiz uma busca para compreender de onde surgiu a lenda de Rei Artur e portanto, a espinha dorsal da narrativa. Marion usa como base uma lenda córnica, já explorada por Godofredo de Monmouth em 1135. Na verdade, a figura da personagem Artur foi modificando-se com o tempo até tornar-se o sábio e conquistar Rei Bretão e em grande parte, isto se dá pela Historia Regum Britannie do monge bretão Godofredo que transcreveu com uma boa dose de fantasia as histórias contadas pelos bardos.
Segundo Monmouth Artur teria sido concebido em Tintagel por Uther Pendragon e Igerna a esposa casta de Garlois, o duque da Cornualha, através de um artifício de Merlin.

"(...) Tintagel...ainda havia quem acreditasse que o castelo fora levantado, na rocha escarpada no extremo final do longo promontório que se projetava para o mar adentro pela magia do antigo povo de Ys."
O povo de Ys. Outro detalhe importante da obra que se reflete em quem Igraine e Uther de fato eram ou foram. Toda obra é marcada pela magia de Avalon, magia esta proveniente das civilizações perdidas da Atlântida e suas ilhas submersas de Caer Ys e Lyonesse.
"(...) Igraine olhou, sem surpresa, para a figura vestida de azul a seu lado e, embora seu rosto fosse muito diferente, e ele usasse um toucado estranho, coroado de serpentes, e tivesse serpentes douradas nos braços - como braceletes- seus olhos eram de Uther Pendragon."

Ainda havia uma outra pergunta em minha mente: quem era Aureliano Ambrósio? O Rei abatido e amado por todo o povo descrito logo nas primeiras páginas?

Como bem se vê, Marion foi bastante minuciosa em juntar tantas lendas de forma tão crível! E, é claro que é impossível tratar em um único post o conjunto da obra. Foi aí que percebi a necessidade primária de conhecer melhor a lenda Arturiana. Deixo para continuar minhas considerações no próximo post.

E foi uma vez um Rei Bretão...

domingo, 25 de dezembro de 2011

O Papai Noel xamânico!

Saudações!
Revendo as postagens aqui do blog andei quase um ano fora! Perdoem-me os visitantes do Casa Conto pela ausência. Confesso a vocês que preciso estar inspirada e, é isso que me impulsiona a escrever por aqui. Este ano foi de intensas mudanças e eis que retorno logo nas comemorações natalinas!

Imagem do site Sabedoria sobre Ética dos Xamãs.
Acho o Natal uma data bastante interessante pela quantidade de símbolos. Em algum post falei sobre La Befana - o Papai Noel de saias italiano - e ainda comentei sobre um site que traz informações sobre os natais no mundo.
Bem, este ano uma amiga repassou uma versão sobre a data bastante desconhecida para mim.
Trata-se da História de Natal Siberiana (leia a história na íntegra acessando o link). Engraçado que ao jogar no google há várias referências, mas não achei uma bibliografia que eu considere confiável para citar por aqui ainda. Isso porque o assunto para mim é desconhecido, então eu preciso estudá-lo melhor para conhecer os autores e tudo o mais.

Enfim, uma correlação entre o velho Noel e os xamãs. Segundo o site sobre o assunto ( Considerei os posts bem escritos, com bastante informação. Vale visitar.) o termo foi cunhado por antropólogos e abrange"(...) todas as práticas ancestrais que mantém ligação com o Sagrado, o Divino, espíritos e estados alterados da consciência." De acordo com o site, o Xamanismo nasceu na Sibéria e na Mongólia.

Pretendo fazer apenas alguns considerações sobre, portanto vou transcrever por aqui algumas das passagens da lenda que me chamaram a atenção, ok?

(...)Muitos povos xamânicos também comemoravam a cerimônia da árvore, representando a "Árvore do Mundo".
A árvore é um símbolo de culto recorrente. Os druidas (classe "sacerdotal" dos celtas) cultuavam as árvores consideradas símbolos da vida e os nórdicos ( povos das áreas que hoje conhecemos como Dinamarca, Suécia, Islândia e Noruega) também tinham a sua representação através de Yggdrasil, a imensa árvore considerada o eixo do mundo. Existem ainda outras culturas que ligam sua origem aos vegetais frondosos.
Outras fontes dizem que a árvore de natal foi uma "sacada" de Martinho Lutero. Ele achou os pinheiros cobertos de neve lindos e decidiu reproduzi-los em sua casa usando materiais artesanais. Então, a árvore de Natal teria vindo da Alemanha...
Existem muitas histórias, mas a árvore de algum modo ou de outro está sempre relacionada a vida. No caso do pinheiro, ele permanece verde mesmo no inverno mais rigoroso.

"As renas eram para os siberianos o que o búfalo representa para os nativos americanos; eram também consideradas a manifestação do Grande Espírito Rena, invocado pelos xamãs para resolver os problemas do povo."
Os animais também eram adorados. Os celtas, por exemplo, tinham uma relação muito estreita com os animais e cultuavam vários deles.  Então, não é de se espantar que um animal - a rena - seja considerada a representação de um Espírito.

"Os habitantes sentiam que os xamãs sempre lhe traziam presentes espirituais. Além disso, a fumaça do fogo onde faziam seu trabalhos saía por uma abertura nas casas (chaminés ), e era por ali que entravam e saiam os espíritos, o que também explica a origem de Papai Noel entrando pela chaminé."
Essa correlação é interessante. A figura do xamã como alguém que espalha os presentes espirituais para o povo.
Só achei meio "viagem" (literalmente!risos!) a parte da lenda que abrange a visão dos caçadores - estimulada pelo consumo de cogumelos através da carne da rena - de um homem vestido de vermelho e branco e a partir daí, teríamos a explicação do surgimento do Bom Velhinho.

Mas, de qualquer forma, é sempre bom conhecer outras lendas! Depois de uma bruxa que pune as crianças malcriadas com pedaços de carvão por que não xamãs que espalham presentes espirituais?

E foi mais um Feliz Natal!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

2011 e o Cálice Sagrado!

Saudações!

Imagem retirada do blog Ponte Oculta.
E aqui vamos nós para o primeiro post de 2011! Espero que vocês, gentis visitantes do Casa Conto tenham desfrutado bem das festas de final de ano.

Sei que havia prometido – no último post – tecer considerações sobre os habitantes do mundo feérico. Vou dar uma pequena pausa no assunto, porque preciso comentar sobre o livro pra lá de interessante que descobri ser meu.

Masss, hein???


Capa do livro.






Pois é. Um incentivo da minha querida mestra em pesquisas...risos!
Trata-se do exemplar polêmico escrito pelo trio de pesquisadores Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln. Sim, “The Holy Blood and the Holy Grail” (O Santo Graal e a Linhagem Sagrada).

Não poderia deixar de fora do Casa Conto a lenda do Cálice sagrado.

Se você já leu o Código da Vinci de Dan Brown, prepare-se para este livro fruto de uma intensa pesquisa.

O ponto de partida da pesquisa é a figura do padre Berenger Sauniére cuja influência sobre os seus superiores e nobres europeus da época teria sido alcançada em virtude de alguma coisa descoberta nas fundações da Igreja de Rennes-le-Château, no sul da França.

O que seria essa “coisa”? As conclusões são surpreendentes. Mas, pelo menos para mim, difíceis de serem desmentidas pela intensa clareza de raciocínio apresentado e pelas fontes bibliográficas utilizadas.

Eu recomendo a leitura para quem deseja ter uma visão mais abrangente da personalidade de Jesus levando em conta os aspectos sociológicos, políticos e econômicos que norteavam o período em que ele viveu. É, no mínino, para nos fazer pensar sobre. E claro, para quem tem interesse na Ordem do Templo e os famosos Cavaleiros do Cristo, os Templários.

De qualquer forma, o livro investiga a lenda que geralmente é associada ao Cristo. Segundo algumas tradições foi o copo no qual José de Arimatéia colheu o sangue de Jesus.

De acordo com o livro, os primeiros romances sobre o cálice sagrado repousam em elementos pagãos.

“(...) No mabinogion, uma compilação de lendas galesas mais ou menos contemporâneas aos romances sobre o cálice, embora baseado em material mais antigo, existe um misterioso caldeirão do renascimento; guerreiros mortos, jogados dentro dele quando a noite cai, ressuscitam na manhã seguinte.”

Acho que já falamos sobre o caldeirão dentro da cultura celta, não é mesmo?

“Este caldeirão é freqüentemente associado a um herói gigantesco chamado Bran, que possuía um prato no qual “qualquer comida que se desejasse podia ser instantaneamente obtida” – uma propriedade às vezes atribuída ao cálice.”


Um prato, um caldeirão, comida inesgotável. Falta só aparecer a nossa simpática Strega Nona, a bruxinha do conto infanto-juvenil que tivemos a oportunidade de conhecer alguns posts atrás.

Não se sabe como, os romances sobre o objeto mudaram radicalmente, tornando-o ligado a figura de Jesus.

“A despeito da desaprovação clerical, esses romances floresceram por quase um século, criando em torno de si um culto próprio, independente, um culto cuja duração, curiosamente acompanhou aquela da Ordem do Tempo (...)”

E, a partir daí, o trio de investigadores se debruça sobre as histórias sobre o objeto começando pelo primeiro romance genuíno sobre o cálice, escrito aproximadamente em 1188. (Le Roman de Perceval ou Le Conte Del Graal).

Quem diria que o Cálice sagrado tinha/ tem um quê de pagão?
Um outro romance sobre o assunto liga o Cálice ao Rei Artur, personagem marcadamente celta.

Enfim. Leitura intrigante e fascinante pelo que propõe e como propõe.

E foi uma vez.

Obs.: O Blog " Ponte Oculta" traz um post sobre o assunto. Visite se quiser saber um pouco mais sobre.