terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O mito do Morcego

Saudações!

Imagem do artista Royo - Victoria Francès
Essa onda vampiresca de Crepúsculo e afins fez com que eu pensasse sobre estas criaturas. Inclusive, até guardei uma reportagem da Veja sobre a nova moda, com a finalidade de lançar um olhar mais atento sobre.

Não posso falar de Stephanie Meyer porque...Confesso! Nunca li qualquer um dos livros. E acho, realmente, que deveria ter lido um dos livros antes de assistir o filme. ( Sei que existem muitos fãs da saga, mas não aguentei assistir o primeiro e nem o segundo filme até o final! Em grande parte por conta da protagonista. A interpretação da atriz não me impressionou nem um pouco. Ela nem precisava se transformar em um vampiro porque literalmente, já está morta. O que é uma pena. E esta é a minha humilde opinião. Não assisti aos outros filmes para ver se a atriz engrena no papel. Sopro de vida ali, só mesmo Jacob. O lobisomem. Ele sim, tem sangue nas veias!)

"(...)Em praticamente todas as culturas, em todas as épocas, encontra-se algum mito associado ao vampirismo. Essas entidades, sempre malignas e aterrorizantes, se fizeram presentes desde a China de 6 000 anos atrás até o folclore tribal africano e o ainda hoje o popular chupa-cabra mexicano."
                                                      " A Eterna sedução dos Vampiros" in Veja, 14 de julho de 2010.

Drácula 2000. Imagem do Blog CINETECA
BRASIL.
Logo, acho mesmo que os vampiros da Saga Crepúsculo imitam o universo dos Contos de Fadas. No centro deste universo está o príncipe Edward Cullen. Culto e romântico, capaz de recitar Shakespeare...Afinal, os vampiros em seus primórdios eram verdadeiros monstros, conforme o trecho da revista Veja. Com o tempo, a lenda foi digamos, sofrendo um "refinamento romântico"...Deflagrado por Meyer, Ane Rice e claro, pelo cinema norte-americano.

"(...) Por muito tempo, acreditou-se que a alma estivesse no sangue, e não é sem motivo que, em grande parte, os rituais sagrados estão vinculados a ele."  Denise Paiero, professora de semiótica da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

A fascinação pelo sangue, o líquido que garante a vida...Já falamos sobre o sangue também como elemento religioso no post em que me dedico a analisar o clipe Fairy Tale. E, embora tenha feito considerações sobre Crepúsculo, o filme que realmente me chamou a atenção pelo roteiro foi " Drácula 2000".
Exatamente porque consegue criar uma nova dinâmica para a figura do Nosferatu em cima de uma temática digamos, mais teológica.

Sim. Já disse no topo do post. É um filme trash e sei que muitas pessoas tem as suas considerações sobre. Mas, particularmente, penso que consegue inovar propondo uma nova linha de raciocínio para o surgimento de Drácula.
Drácula é despertado de seu sono por um grupo de ladrões de relíquias então, solto em pleno século 20, ele sente uma estranha ligação com Mary Van Helsing. Assim, ele parte em sua busca.

A cena em que o Drácula está caminhando nas ruas e dá de cara com todo o tipo de vício e devassidão é, no mínimo, interessante. Drácula, neste filme, está ligado a sedução, aos vícios e ao pecado. Há também uma sede insaciável, o que confere ao personagem como um todo um certo ar melancólico. Em sua caminhada ele chega a conclusão de que embora ele tenha estado longe da humanidade por tanto tempo, o mal não se afastou dela.

Observa-se também o fascínio das mulheres por Drácula. Elas são as primeiras a ceder ao seu charme. Ora, na visão bíblica quem foi seduzida pela serpente? Quem levou toda humanidade à desgraça? Pois é. A mulher.
Mas existe uma única mulher que corresponde ao ideal feminino religioso. Quem é ela?
Maria, a mãe de Jesus.
Aliás, o culto à Maria alastrou-se pela Europa no século XII em grande parte por conta dos Templários, os Cavaleiros do Cristo, que cultuavam a Grande Mãe.

Agora, qual é o nome da protagonista do filme?
Ah, se não é... Mary.

Ao final, vamos perceber que a busca de Drácula vai além de Mary. Ele deseja mesmo é o sangue que por sua causa foi derramado e pelo qual ele anda sedento anos a fio...O sangue de Cristo.

Então, trash ou não, sempre dá para salvar alguma coisa não é? ( Fora a presença de Gerárd Butler...risos!)

E foi uma vez o Conde das Trevas...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O Rapaz Moreno

Saudações!

Hoje passo apenas para compartilhar esse texto...Guardo há muito tempo e retirei de um livro...Achei interessante porque se trata de uma canção escocesa e já que falávamos no último post sobre o amor cortesão...

Como estamos na era digital, joguei no "tio google" para ver se encontrava alguma referência...Nada. Bom, não sei se a dificuldade é da usuária ou se a música não existe...Ainda há a possibilidade da letra da música estar em gaélico...Enfim...Se alguém conhecer...Peço para que me dê um toque através de um comentário! E já agradeço!

O Rapaz Moreno
(Canção escocesa)

" Não subirei montanhas, nem andarei nos campos,
Sufocarei minha voz, não cantarei canções;
E não dormirei nem uma hora,
de segunda a domingo,
Enquanto o rapaz moreno for senhor de meus pensamentos.

Ah, quem me dera estar com o rapaz moreno
No topo do mundo, mesmo sob a tempestade,
No ermo da floresta ou noutro esconderijo;
E não pensarei em outro enquanto for você meu preferido.

Lábios de mel você tem, o amor das mulheres também,
Um beberrão pode ser, e um generoso mão aberta;
Mas nos vales é o caçador mais viril e implacável;
E não pensarei em outro enquanto for você meu preferido.

Meu formoso rapaz moreno, ainda que o julgassem louco,
Eu o desposaria mesmo contra a família inteira;
Eu o seguiria até os confins do universo.
Enquanto o rapaz moreno for senhor de meus pensamentos.

Meu belo rapaz moreno, jamais o deixarei;
mesmo que o visse uma vez só, seria você o meu escolhido.
Ainda que o visse entre cinco mil, saberia quem é o melhor,
Enquanto o rapaz moreno for senhor de meus pensamentos."

E foi uma vez...

domingo, 15 de janeiro de 2012

Um conto de fadas medieval...?

Saudações amigos do Casa Conto!

E chego trazendo um pouco de música...
Na verdade, uma amiga acabou postando este clipe em sua página do facebook e, acreditem, apesar de gostar muito desta banda eu não havia parado para observar melhor o filmete e nem a letra. E, lógico, achei que não poderia deixar de postar por aqui.




O título já é bem sugestivo..." Fairy Tale" ou " Conto de fadas".
Uma das coisas mais interessantes deste vídeo é, exatamente, a mistura de elementos pagãos com religiosos.
Todo o clipe é permeado de referências: desde o coral de canto gregoriano que abre o clipe até à cartomante e as sessões do copo.

Não encontrei uma análise do filme pronta, por assim dizer, mas internautas fazendo suas próprias especulações sobre o significado. Alguns dizem que este vídeo faz referência ao Trovadorismo - um estilo literário de época surgido no Sul da França em plena Idade Média. O quê, para mim, faz muito sentido e explica a predominância dos elementos religiosos na história.
Comecemos com o fato de que Idade Média é um período dominando pelo Catolicismo. Muitas das festas pagãs foram absorvidas pela religião ou escorraçadas pelo clero. Já parte da produção literária era focada nas cantigas de amor, conforme trecho abaixo do site BrasilEscola:

"No que tange à temática elas estavam relacionadas a determinados
valores culturais e certos tipos de comportamentos difundidos pela
cavalaria feudal, que até então lutava nas Cruzadas no intuito de resgatar
a Terra Santo dos Mouros. Percebe-se, portanto, que nas cantigas prevaleciam
distintos propósitos: havia aquelas em que se manifestavam juras de amor
feitas à mulher do cavaleiro, outras em que predominava o sofrimento de
amor da jovem em razão de o namorado ter partido para as Cruzadas (...)"

Acho, no entanto, que o compositor quis ir um pouco mais além. A questão fundamental do clipe não é o amor em si, mas a perda.
A temática na verdade é a Morte e o sentimento de incapacidade para lidar com essa transição.

" Senhora encantada que se apóia nas paredes"
Vamos fazer uma análise mais subjetiva desta frase: no clipe a Dama é mostrada literalmente se apoiando nas paredes, mas acredito que a ideia é demonstrar que esta mulher está presa ao material, à concretude do mundo, à racionalidade. Alheia à realidade das questões espirituais que lhe permita sentir que o "amado" ainda está vivo. Quando ela se depara com a Morte, suas "paredes" sofrem um abalo. Tudo em que ela se apoiava desmorona...

No entanto,
" Seu conto apenas começou
Ele vem de longe, da Terra de Lugar Nenhum."

E então, temos uma mudança na expressão da Dama. Com a demolição das antigas crenças ela pode sentir o que lhe era familiar: " O vento sopra um som bem conhecido"
Prossegue-se o clipe com o "amado" personificado pelo cantor - André Matos - gritando para que ela o ouça: "Ouça minha alma e enxugue o meu pranto."

"Oh, a vida é boa
Oh, a vida é boa"
O clipe continua tentando entender a vida e a morte.
Os frames seguintes mostram cenas comuns: a mãe beijando a filha, um artesão pintando uma escultura, etc, etc...
Até que a música chega em um crescendo e aquelas cenas pacatas começam a ter elementos mais sombrios. Afinal de contas, a vida é um conto de fadas cheio de reviravoltas do destino ou talvez, escrito por algum ente superior - Deus?

A cena das duas freiras que se deparam com aquele homem rindo e gargalhando...Talvez uma ironia? Enquanto elas estudam tanto para compreender os divinos desígnios, Deus simplesmente está gargalhando ou pouco se importando com o destino de suas criaturas?
Ou ainda, a representação do lado negro da religião, Lúcifer? A tentação.

Há também muito sangue...Mas, o sangue é outro elemento religioso... É só lembrar do canto gregoriano que abre o clipe: " Tua família sobreviverá, do teu precioso sangue..."
Assim, é o sangue de Cristo, o Salvador da Humanidade (que não deixa de ser uma família.)

Em um outro frame, vê-se um jarro de água que se enche de sangue...Parece-me uma referência bem clara ao Santo Graal...Algumas das lendas dizem que o Santo Graal seria o cálice em que Cristo bebeu vinho na última ceia. O vinho para os católicos é a representação do sangue de Cristo...E, pronto! Dois elementos incorporados mais uma vez...

"Pequena senhora, seu conto tem um fim.
Pois seu amado ao Céu foi enviado."
(...) E assim ele estará lá, porque ele nunca morreu..."

Chega-se a constatação de que o amado nunca se foi. Ele está lá. E a Pequena senhora pode tranquilizar-se e não sofrer mais.

Acredito que seja por aí e é por isso que gosto tanto deste clipe. Poderia analisar cada frame do filmete aqui, mas vamos combinar que seria muita coisa para um post...risos!
Ele é mais do que uma "trova medieval", mas se usa deste estilo para se propôr à pensar sobre o mistério do que há além da vida e questionar a importância da vida em si.

E foi uma vez...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Aureliano Ambrósio: o Rei Sábio

Allan Latwell - Entering The Deadlands to send. Visite a galeria do
autor.
Como vão, amigos do Casa Conto?

Começamos mais um ano e espero que todos tenham desfrutado bastante das festas!
Fico muito contente de dar continuidade ao assunto de " As Brumas de Avalon", ainda mais quando dou de cara com um exemplar fascinante da Revista História viva.

Foi meio por acaso: entrei em uma dessa bancas de rodoviária e estava indo embora quando meus olhos encontraram os da Fada Morgana!Típico caso de "amor à capa de revista"! risos! E lá estava: a Edição Especial Grandes Temas História viva - Idade Média Encantada: lendas, mitos, romances, aventuras e pseronagens inesquecíveis.

Não teve jeito, não é mesmo? Tive que levar. Mais tarde falarei sobre os temas que a revista aborda.

Falávamos no post " Brumas de Avalon" sobre a personagem do Rei Aureliano Ambrósio - o rei cristão e do quanto fiquei pensativa sobre sua origem.  É Gildas, um monge do século VI que o descreve:

"Em meio ao horror e destruição causados pelos saxões, um foco de



resistência se formava. Ambrósio Aureliano é um dos poucos personagens citados

por Gildas, "único sobrevivente de uma família romana". Ele o descreve como um

típico soldado romano: modesto, forte e cheio de fé. Era um homem de cavalaria e

"os bretões corriam como um enxame de abelhas em direção a ele, como um

enxame de abelhas temendo uma tempestade que se aproxima. Lutavam na

guerra tendo Ambrósio como líder", dizia Gildas. E o primeiro ataque de Ambrósio

não seria contra os saxões e sim contra Vortigern, considerado traidor de seu

país, cujo último refúgio foi um castelo em Flintshire. Ambrósio pôs fogo no castelo

e Vortigern morreu em batalha." ( este fragmento está em um documento interessante que encontrei no Scribd:  A lenda do Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda.)

 O blog " A Ilha Afortunada" (gosto muito deste blog. Vale a pena visitá-lo. Tanto que está em meu Blogroll.) continua com Monmouth para quem após a morte de Constantino, sobre ao trono Vortigern, um picto. Constantino tinha dois filhos - Aurélio Ambrósio e Uther. Os guardiões destes filhos os levaram para serem criados longe de Vortigern.
 Os irmãos recuperam o trono e a Bretanha é governada pelo sábio Ambrósio.

Enfim. O que desejo neste post é deixar claro como Marion enredou a sua trama e não discutir a autenticidade das histórias - que é deveras discutível. Existem várias versões sobre o surgimento de Artur. Mas, a Bretanha anterior a Artur era um território de contendas entre saxões, bretões e romanos.

E foi uma vez um Rei...