quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A filha do Moleiro, uma Feiticeira.

Como vão, visitantes do Casa Conto?


Depois de algum tempo de descanso, eis que a “boa filha a Casa retorna!” risos!


Figura retirada do blog Fadas e Duendes.
 Bem, depois deste longo tempo sem postar (Também estava envolvida em gerar conteúdo para meu outro Blog.), mas ainda mergulhada em estudos, hoje desejo compartilhar mais um pensamento interessante sobre o Universo dos Contos.

Como sabem através de alguns post´s atrás estava entretida na leitura de Jules Michelet. O que me permitiu algumas reflexões sobre um outro conto, que embora não abordado pelo autor, me veio à mente ao ler o capítulo intitulado “Pacto”.

Trata-se do Conto Rumpelstiltiskin dos Irmãos Grimm, presente no livro “Contos para infância e para o Lar.” Inclusive, a nova animação de Shrek, a figura do duendezinho maléfico é trazida à tona como o causador de uma verdadeira reviravolta na vida do Ogro. Pontos para a Gansa Fifi, uma sátira impagável que faz referência ao livro de Charles Perrault – Contos da Mamãe Gansa. Fifi, a gansa, tem dois olhos vermelhos demoníacos e vamos deixar bem claro que...De Mamãe Gansa não tem absolutamente nada!


Para quem não conhece a história, em linhas gerais, trata-se de um moleiro canastrão que mente ao Rei alardeando que sua filha seria capaz de transformar feno em ouro. A jovem é, então, levada ao palácio e trancada em um quarto cheio do material. Ela deve transformar feno em ouro para preservar a própria vida.


Releitura moderna do Conto em Shrek 4.
 É então que a jovem camponesa recebe a visita de um serzinho que promete ajudá-la, caso ela lhe dê algo em troca pelo serviço.

E aí se fixa o “Pacto diabólico, do hediondo tratado em que, pelo ganho ínfimo de um dia, a alma se vende às torturas eternas” (MICHELET, 1992).


Ouso dizer que o duende em si não é ruim. Ele apenas trabalha por trocas. Apenas isso. O que motiva a desgraça da pobre camponesa são justamente os homens que a rodeiam. Primeiro: o próprio pai. Segundo: o rei e futuro esposo. E ambos motivados pela ganância que a forçam a dar o primeiro filho como pagamento pela última noite de trabalho do duende.

“(...) Ao aparecer, a Feiticeira não tem pai, nem mãe, nem filho, nem esposo, nem família. É um monstro, um aerólito, vindo não se sabe de onde. Quem ousaria, meu Deus, aproximar-se dela?”

Obviamente, apenas o duende. Já que a mulher é rechaçada, submetida ao poder patriarcal. O que comprova que a feiticeira nasce, conforme Michelet, do “Tempo da desesperança.”

“- Ah, então estás aí, finalmente... Não vieste de bom grado. E não terias vindo se não tivesses chegado ao fundo da necessidade mais profunda... Precisaste, orgulhosa, correr sob o chicote, gritar e pedir clemência, rejeitada por teu marido.”


Quem diria? A pobre filha do moleiro transforma-se em uma Feiticeira para salvar-se!

Para mim, este conto deveria entrar no prefácio da obra de Michelet. Injustiça, hein!risos...

E foi uma vez...

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